Altamente enviesada

Hélio Bernardo Lopes
Sem um infinitésimo de espanto foi como ontem pude escutar as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, já depois da meia-noite, ao redor das opiniões sobre a saída de Vítor Bento e dos seus colegas na administração do Novo Banco. Assim, certamente na zona de Cascais, em plena praia, no mar ou na areia, todos se dirigiam a Marcelo, mostrando a sua condenação pela saída daqueles administradores do Novo Banco. Bom, caro leitor, desatei a rir.

Num ápice pude dar-me conta de que a amostragem de Marcelo estava completamente enviesada, em nada representando a opinião do universo dos interessados e atentos portugueses. No mínimo, porque a minha amostra, certamente bem mais vasta que a de Marcelo, diz exatamente o contrário: todos condenam, acima de todos os restantes, Carlos Costa, o Governo, mesmo o Presidente Cavaco Silva. E nem um só levantou a questão do patriotismo, assim colocando as liberdades, os direitos e as garantias dos ex-administradores do Novo Banco bem acima dos interesses deste ou do País. Não somos – por enquanto, claro está – um estado totalitário.

Simplesmente, o leitor pode aqui servir de árbitro, porque existem já sondagens sobre este tema. Sondagens mais formais, ou mesmo através de diversos jornais. Em todos estes casos a administração liderada por Vítor Bento foi sempre considerada como a parte menos responsável. Os mais responsáveis foram sempre o Banco de Portugal – Carlos Costa – e o Governo. Hoje mesmo, foi possível encontrar uma declaração evidente de gente responsável, muito ligada ao Governo, reconhecendo a evidência: esta mudança recente no Novo Banco pode prejudicar eleitoralmente a atual maiora. Ouro sobre azul, portanto. E por tudo isto eu darei a Marcelo, neste caso, um sete.

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