O evento tem início marcado para 10 de Agosto e prolonga-se até 31 de Outubro, marcando presença em diversos municípios durienses, desde Alijó (vila que viu nascer esta Bienal) até ao Porto, passando por Foz Côa, Favaios, Régua e Vila Real.Segundo Nuno Canelas, Director da Bienal, “contrariando o marasmo cultural do país em tempo de crise, que arrasa tudo o que for cultura e arte, a Bienal Internacional de Gravura do Douro está aí, mais forte do que nunca, com a maior programação de sempre”.
A expectativa em torno desta edição do certame é grande e razões para que assim seja não faltam. O programa contabiliza um total de 16 exposições da autoria de 360 artistas convidados, com 750 obras, oriundas de 74 Países de todos os continentes. Números estes que traduzem bem a dimensão alcançada por esta Bienal tanto a nível nacional como internacional. A este feito acresce ainda a concretização de um objectivo primordial: expandir a Bienal pela região e levar a arte aos seus principais espaços culturais.
O Porto (Gráfica Urbana), Vila Real (Teatro Municipal), Régua (Museu do Douro), Foz-Côa (Centro Cultural e Museu do Côa), Favaios (Museu do Pão e do Vinho) e, obviamente, Alijó (Pavilhão Gimnodesportivo, Biblioteca, Auditório Municipal e Piscinas Municipais) acolhem obras não só de grandes nomes já consagrados como de jovens artistas em ascensão e formação. Antoni Tápies, Rafael Trelles, Fernando Santiago, Daniel Hompesch e Silvestre Pestana são alguns dos nomes em destaque.
Depois do tributo a Paula Rego na Bienal de 2007, esta 5ª edição do certame vai homenagear Antoni Tàpies, artista catalão considerado pela crítica como um dos maiores nomes das artes plásticas do séc. XX, ao nível de Picasso, Marcel Duchamp ou Pollock. O Museu do Douro, na Régua, acolhe a exposição, com cerca de 30 peças, deste mestre da arte contemporânea mundial.
Do ambicioso programa desta Bienal, é de salientar ainda a realização de uma exposição do Centro Português de Serigrafia com trabalhos dos artistas mais representativos da arte portuguesa; uma exposição da Uri Art Galery (Porto-Rico) com gravadores do Caribe; uma exposição da associação de Gravura Água-Forte (Lisboa); duas exposições individuais de Fernando Santiago (Porto-Rico) e Daniel Hompesch (Bélgica), uma exposição dos Comissários da Bienal; três workshops de Gravura Não-Tóxica, de gravura em metal e gravura rupestre, bem como, conferências de gravura contemporânea e gravura rupestre, entre outras iniciativas.
“Impondo-se pela força da cultura e utilizando como arma de autodefesa a criatividade e a arte, a Bienal de Gravura do Douro é hoje um evento cultural de invulgar dimensão internacional e uma referência no mundo da gravura, afirmando-se, edição após edição, como um dos principais acontecimentos de arte do nosso país e uma das principais Bienais de Gravura da Europa”, sublinha Nuno Canelas.
Orçada em 80.000 euros, esta será a maior Bienal de Gravura de sempre, “cumprindo um velho pressuposto da organização: fazer sempre mais e melhor como é seu apanágio”, frisa o curador da Bienal. Inconformado com os escassos apoios das entidades públicas e privadas, mas satisfeito com os sucessos artísticos já alcançados e motivado pela dimensão e projecção desta Bienal, Nuno Canelas não desiste deste projecto que, para além de ter conseguido afirmar internacionalmente o empreendedorismo e modernidade do Douro, tem sido um projecto educativo na verdadeira ascensão da palavra, promovendo diversas actividades paralelas ao evento, como debates, workshops e conferências e contribuindo, assim, para a formação de novos públicos.
Aquele que é já o maior evento cultural e artístico de toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro conta com quase 10 anos de existência e de trabalho dedicado à promoção cultural e à projecção da região duriense em todo o mundo. No currículo conta com a participação de artistas de mais de 70 países; homenagens a grandes nomes das artes nacionais e internacionais como Vieira da Silva, Octave Landuyt, Gil Teixeira Lopes, Nadir Afonso e Paula Rego; inúmeras exposições internacionais, pelo país e pelo Douro; 15 workshops de gravura; palestras; conferências; teatro; concertos, entre muitas outras actividades.
De salientar ainda neste já longo trajecto, a constituição de um valioso património artístico de gravura, que poderá no futuro, em conjunto com o esforço notável do Município de Alijó, culminar com a construção de um Museu de Gravura Contemporânea, único em Portugal e que será certamente a mais-valia que faltava para que o turismo do Douro circule pelas suas aldeias, vilas e cidades.