"Nocturna fronteira", poema de Carlos d'Abreu

[vc_row][vc_column width="1/2"][vc_column_text]Nocturna fronteira

                    A Chus Sánchez Villasante

Larga é a noite
Do outro lado tu
Entre nós os montes
por onde ecoa a tristeza
da distância-fuligem
e da solidão-geada

Longe está agora a raia
Mais perto a fronteira
alçada p’ra desunir
o nosso país interior

Marcos são os teus olhos
da permeável fronteira
Contra(o)bando sou eu
que passo            a passo
sem passador-guia
vereda acima e trilho abaixo
circundando a serra
de mil sombras-lobishomens

Entro    saio    volto a entrar
e só tu sabes porque arrisco
só tu sabes porque insisto
em esperar a madrugada

Mil vezes caminho andei
mil vezes fiz caminho
Contornei      ludibriando
e derrubando furtei
todas as fronteiras
desde que ao cemitério fui
deixar carta a minha Mãe!

Carlos d'Abreu[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width="1/2"][zoomsounds_player source="https://ia601401.us.archive.org/33/items/podcast-poemario-28/Podcast%20Poem%C3%A1rio%20%2328.mp3" type="detect" config="sample--skin-wave-with-multisharer-button-and-embed" artistname="``Nocturna Fronteira``" songname="Poemário de Carlos d'Abreu" enable_likes="on" enable_download_button="on" wrapper_image="2487" wrapper_image_type="zoomsounds-wrapper-bg-center" play_target="footer"][/zoomsounds_player][vc_btn title="OUVIR MAIS DO PODCAST POEMÁRIO" shape="square" size="sm" align="center" i_type="openiconic" i_icon_openiconic="vc-oi vc-oi-headphones" button_block="true" add_icon="true" link="url:https%3A%2F%2Fnoticiasdonordeste.pt%2Fpoemario%2F|||" css=".vc_custom_1599906913409{margin-top: -20px !important;}"][vc_column_text]“Nocturna Fronteira”, integra o livro de poesia “[des(en)]cantos e (alguns) gritos“, de Carlos d’Abreu, editado em 2017 sob a chancela da editora Lema d’Origem.
“A narratividade dos poemas, associada ao tom coloquial, constitui outro traço distintivo da poética do autor. Muitos dos carmes, em todos os andamentos, evocam as narrativas mágicas e imemoráveis que vão passando de geração em geração. Esta narratividade, coadjuvada pelo ritmo rápido e cadenciado da quadra, predetermina a atenção do leitor para a reflexão e a procura de ‘novos sentidos e possibilidades’”.

Créditos da imagem:Jorge Abreu Vale[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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