Os católicos fundamentalistas

|Hélio Bernardo Lopes|
Tive já a oportunidade de salientar o estado de desprestígio a que chegou a Igreja Católica na sequência dos casos de pedofilia e do dito Banco do Vaticano, e que conduziram ao Vatileaks e à renúncia do Papa Bento XVI.

Se a tudo isto juntarmos o que há mui pouco tempo referiu o Papa Francisco sobre o que deve nortear os altos membros do clero, de parceria com o conteúdo daquela sua conversa com um padre argentino muito amigo, percebe-se que o caminho seguido por Francisco nunca poderia ser muito diferente do que se tem podido ver. Impunha-se-lhe estagnar as saídas e recuperar os corações dos entretanto descrentes (da instituição e da sua ação).

Simplesmente, uma coisa é o caminho apontado por um Papa, outra a realidade vivida ao nível do clero nacional ou dos católicos fundamentalistas, em geral muito ligados ao poder e ao dinheiro, e que desprezam a generalidade dos mais humildes ou dos que se mostram publicamente como diferentes.

Pois aí está, depois de quanto se tem podido ouvir ao Papa Francisco, um documento com mais de setenta mil assinaturas de católicos fundamentalistas, solicitando a Francisco que afaste da Igreja os divorciados que voltaram a casar e os homossexuais. Um documento que está a circular, sobretudo, na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos.

Noticia certo semanário ligado ao ambiente católico, sobretudo Opus Dei, que os católicos em causa querem pressionar Francisco a tomar uma posição sobre estes temas no Sínodo da Família, a reunir em outubro. Não custa perceber que estes católicos irão conseguir fazer vencimento sobre as supostas posições assumidas nestes temas pelo Papa Francisco. Nunca duvidei desta realidade, até porque sempre interpretei as posições do atual Papa como uma metodologia destinada a conquistar simpatias e a reconquistar corações desavindos. Em todo o caso, nós temos todo o tempo do mundo, de molde a podermos obter uma prova real e não meras provas de noves.

Infelizmente, há perto de uma semana nós pudemos constatar o comportamento religioso sectário de certo capelão militar, recusando que o corpo de um nosso major-general, que havia sido evangélico, pudesse ser depositado numa capela católica. Para mais quando tal, acima de tudo, era uma tradição castrense muitíssimo forte e essa capela era parte da segunda família do referido major-general. Da hierarquia católica, como do comando da unidade ou do comando superior do ramo militar, tal como da Associação 25 de Abril, nem uma palavra pública.

O que tudo isto mostra é simples: Francisco I tinha de fazer qualquer coisa, de molde a tentar parar a terrífica imagem que se havia colado, por todo o mundo, à estrutura da Igreja Católica. Impunha-se-lhe mudar qualquer coisa, mas vai-se percebendo que quase tudo não passa de aparência. E é o que agora volta a perceber-se com a posição de muitos católicos fundamentalistas, um pouco por todo lado do mundo. São uma ínfima minoria, mas são os ligados aos grandes centros do poder e da riqueza. Mas vamos esperar pela decisão final do Papa Francisco. Pelo meu lado, é simples operar uma previsão: ele queria, mas não o deixaram... Onde que já se ouviu isto?

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