O IV Reich

|Hélio Bernardo Lopes|
Quem dispuser de independência de pensamento e de liberdade para o poder exprimir, facilmente terá já percebido que a Alemanha de hoje se encontra com o seu IV Reich em funcionamento. E se olharmos com alguma atenção – requer-se alguma idade e conhecimento histórico –, percebem-se já as analogias fortes entre os dois tempos históricos, o do início do III Reich, já com Hitler no poder, e o tempo atual. Vejamos o que penso sobre esta realidade.

Depois da invasão da França, ultrapassada que foi, num ápice, a treteira Linha Maginot, os detentores da soberania francesa mostraram-se extremamente fracos perante o invasor, sucumbindo à primeira e aceitando a subserviência perante o poder alemão. Uma atitude que não foi perdoada depois da guerra e lhes valeu a condenação à morte.

Hoje, o cenário é em tudo idêntico, mas em que os carros de combate foram substituídos pelo controlo económico e financeiro, e com a cabal aceitação do poder condutor da Alemanha sobre os destinos da União Europeia, num binómio de um só chefe – Merkel –, magnanimamente designado por Eixo Franco-Alemão. O tempo que passa possui esta marca, tão clara quanto analógica com os tempos iniciais do III Reich: a Alemanha manda, a França obedece.

Naquele tempo já longínquo só se chegou ao início de um conflito mundial por via das constantes cedências de Chamberlain e de Daladier, expectantes de que a Alemanha de Hitler se determinasse a atacar a União Soviética de Estaline, o que foi neutralizado por via do tratado germano-soviético, habilmente arquitetado por este.

Hoje, depois de ter provocado o desmembramento sangrento da antiga Jugoslávia, com o inestimável apoio do Vaticano, a Alemanha voltou-se para Leste, na expectativa de conseguir puxar para a sua zona de influência a paupérrima Ucrânia, que bem poderá vir a cair na ratoeira em que caíram os líderes gregos da direita e do PASOK.

Ao mesmo tempo, e sempre numa estratégia de histórico confronto – hoje já não existe o perigo comunista...–, os Estados Unidos tudo têm feito para conduzir à guerra contra a Rússia, tal como o pretenderam, ao longo de décadas, os militares da extrema-direita norte-americana. Aos poucos, numa estratégia de clara hostilidade contra a Rússia, os Estados Unidos têm vindo a introduzir as antigas repúblicas soviéticas no seio da Aliança Atlântica, colocando armamento letal poderoso a poucos quilómetros da fronteira russa.

O grande problema, no meio de todo o desenvolvimento desta estratégia, tem sido a falta de políticos do tipo Yeltsin, bêbedo inveterado e um corrupto de altíssimo coturno. A falta de ética política e de razão do Ocidente é já de tal monta, que até Gorbachev se vê hoje na obrigação de defender a sua Rússia Ortodoxa dos predadores de riqueza e da investida anti-ortodoxa. No meio de tudo isto, suportada no poder militar dos Estados Unidos, está o poder económico e financeiro da Alemanha, que hoje realmente comanda a famigerada União Europeia.

Aceitasse Vladimir Putin delapidar a pataco as riquezas russas, como se vem vendo, por exemplo, entre nós, e ele seria o melhor político do nosso mundo! Um sério candidato ao Nobel da Paz, mesmo que conseguido sobre a miséria do seu povo, sobre os escombros da sua tradição ortodoxa e perante um futuro sem saída para a Rússia, já então cabalmente desmembrada na sua dimensão continental.

Perante um político patriota e defensor dos interesses do seu país e do seu povo, o Ocidente de tudo vem deitando mão, desde a mentira sobre a morte de Litvinenko, ao desaparecimento do primeiro avião malaio e à queda do segundo. Tal como pude escrever há muito, hoje tudo se sabe já, mas a grande comunicação social, completamente dominada pela pata de mil garras da informação norte-americana, continua obediente e acefalamente a vender a mentira organizada.

Olhando com um pouco de atenção, a Alemanha desenvolve hoje o papel que já tinha ao início do III Reich. Já não com carros de combate e com meios militares, mas fazendo sucumbir povos com caraterísticas próprias, por isso mesmo espoliados e explorados pela máquina alemã e pelos interesses de pequenas oligarquias nacionais, deitando mão de uma prática democrática vazia, mas de aparência legitimadora.

É esta Alemanha que hoje se deita a tentar pôr em causa o mais que natural direito de defesa da Rússia, perante as investidas da máquina militar dos Estados Unidos, sediada na OTAN. E não só. A França, naturalmente, lá vai atrás, sempre subordinada e procurando um papel que sabe não poder desempenhar sozinha. Nem ao nível diplomático – Hollande é hoje um fator de grande chalaça –, e muito menos militar. Mas tem, claro está, a sua inútil Force de Frappe. Se os Estados Unidos dizem poder avançar, aí nos surge a vaidade francesa. Uma vaidade que se esvai com a saída dos Estados Unidos de cena. Se o comando é militar, chefiam os Estados Unidos; se é económico, financeiro e diplomático, lidera a Alemanha. A França de Hollande segue quem manda.

O mundo está hoje muito mais próximo de uma III Guerra Mundial do que pode parecer, ao mesmo tempo que, tal como em 1939, é a Alemanha que comanda a Europa. Fica, pois, a dúvida: será que desta vez haverão duas sem três?

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