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| |Hélio bernardo Lopes| |
De molde que nunca deixo de encontrar graça na frequente tirada de que vivemos hoje, em Portugal, num Estado de Direito. Qualquer um de nós, se acaso pensar um ínfimo, não deixará de sorrir com tal tirada sem conteúdo, mas desde que não tenha sido atingido por uma das maiores vergonhas dos nossos dias e reconhecidamente inimagináveis nos tempos da II República: o caso dos pequenos depositantes de dinheiro, no BES ou no GES.
Ainda acabo por ficar pasmado com a falta de moral e de ética e com o cabalmente inoperacional Sistema de Justiça que temos, tal como com as posições assumidas pelas ditas autoridades de fiscalização das atividades bancária e financeira. Ninguém põe um mínimo de ordem justiceira na lamentável realidade para que foram atirados tantos portugueses e suas famílias na sequência do escândalo GES/BES.
Este caso, infelizmente, mostra o completo falhanço de todas aquelas instituições ou estruturas, realmente incapazes de assumir as suas responsabilidades ou o que se esperaria que pudessem ser os seus deveres. E tudo isto num tempo em que o direito de acesso à Justiça está praticamente limitado a quem seja rico, tenha lá a sua riqueza a proveniência que tiver. Um verdadeiro escândalo, suportado no inacreditavelmente badalado Estado de Direito Democrático, infelizmente já hoje sem conteúdo entre nós.
Depois de há dias ter passado o primeiro cinquentenário do homicídio de Humberto Delgado, a verdade é que os seus herdeiros conduziram a vida da generalidade dos portugueses a um verdadeiro inferno. Tendo alguns lamentado que Salazar não tivesse auscultado os portugueses sobre a defesa do Ultramar, num ápice se esqueceram dos reais detentores da soberania portuguesa, atirando-nos, acefalamente, para a famigerada União Europeia. E sempre sem serem os portugueses auscultados sobre uma tal opção, tal como sobre a da adoção do euro.
Infelizmente, se aquelas centenas de portugueses e das suas famílias vivem um terror que lhes foi trazido sem nada terem feito de mal, não é menos verdade que a generalidade dos portugueses se deu já conta de que não virá a ter um futuro capaz e minimamente seguro. Temos, em todo o caso, essa inútil e farsante repetição do Estado de Direito Democrático. O problema é que tal não mata a fome, antes a vem fazendo, entre nós, aumentar. Foi o Portugal a que fomos conduzidos. Vivemos o impensável de outros tempos.
