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| |Hélio Bernardo Lopes| |
A isto mesmo se referiu, ainda que de um modo muito indireto, o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, que teve a oportunidade de participar por videoconferência no recente Lisbon & Estoril Meo Film Festival. Salientou Julian Assange que o Google é o maior serviço de informações do mundo. Como se foi tornando progressivamente evidente, o crescente desenvolvimento de tecnologia complexa está-nos a conduzir ao totalitarismo apontado por Assange, como resultado da correspondente centralização de informação.
Claro está que a sociedade que se criou, se permitiu todo o tipo de utilizações dos meios de transmissão de informação, também acabou por permitir que os Estados, através dos seus serviços secretos, possam espiar quem dos mesmos deita mão. E, como facilmente se percebe, perde-se, neste labirinto, toda a marca do Estado de Direito.
Como Assange referiu, acabou por desenvolver-se, e de um modo crescente e rápido, o desejo de saber tudo, sobre todas pessoas, em toda a parte, assim transformando a Google no maior serviço de informações do mundo. Descreio, porém, de que em breve o WikiLeaks venha a fazer novas revelações importantes. Se elas existissem, já teriam sido dadas a conhecer, sendo que o que veio a lume, de um modo muito geral, foram dados sem especial relevância.
O avanço da tecnologia acabou por permitir vigiar cada pessoa, entender onde está, o que cada um de nós está a fazer, a ler e com quem contacta. E, com toda a naturalidade, explicou que, independentemente da verdade sobre os motivos da criação da Google, o seu modelo básico assenta no mesmo dos sistemas de segurança nacional, arrecadando informação de todo o mundo, tratando-a e organizando-a para cada pessoa.
Ora, Julian Assange deixou aos que o escutaram o pedido de que consultem na Google o texto, GOOGLE IS NOT WHAT IT SEEMS. Se é verdade que não procurei ainda este documento, talvez se venha a mostrar de interesse faze-lo. Mas devemos assumir como hipótese a mais pessimista, embora tal não traga uma vantagem decisiva. E por tudo isto, achei graça, num destes dias, ao conselho de António Ramalho Eanes, defendendo a vigilância e intervenção cívica, dado que os poderes não podem ultrapassar determinados limites. Mas não explicitou os poderes a que se referiu, nem os limites apontados e muito menos como operar uma tal intervenção defensiva.
Por fim, apontou que a sociedade tem de dialogar com o Estado para o obrigar a respeitar os compromissos que assumiu. Mas não disse como. E, em boa verdade, nenhum cidadão sabe muitíssimo bem como operar um tal mecanismo. Dialogar como, se o poder vive completamente ao serviço de grandes interesses empresariais e de estratégias que não servem o interesse de Portugal e dos portugueses? São alertas e sugestões, mas absolutamente ineficazes, porque os cidadãos não são quem lança os dados...
