O estranho mundo do Vaticano

|Hélio Bernardo Lopes|
Estou firmemente convicto de que a generalidade das pessoas atentas, incluindo os crentes católicos, não deixará de olhar a vida interna do Vaticano como algo com contornos estranhos. Não, necessariamente, por ali se passar algo de estranho, mas porque todo o ambiente deverá ser pesado e com uma presença muito forte do cinismo e da intriga.

Objetivamente, a vida no Vaticano acaba por ser marcada pelo conflito entre a doutrina enunciada e a sobrevivência num mundo – e para mais no tempo que passa – que é completamente comandado por interesses que vivem à revelia dos valores enunciados pela Igreja Católica. Uma situação que também acaba por atingir a própria Igreja, ou ter-se-ia desembaraçado do seu banco, já tão mal afamado.

Por tudo isto, é igualmente estranho o diálogo ora surgido a público entre o Papa Francisco e um seu concidadão argentino, igualmente sacerdote, e segundo o qual Francisco I corre um risco real de vir a ser morto.

Não sendo tal situação nova na vida da Igreja Católica – recorde-se João Paulo I e o que se passou com o seu sucessor, na Praça de S. Pedro – nunca foi explicado, mas sabe-se hoje não ter sido proveniente da extinta União Soviética –, a verdade é que nunca dei grande crédito a uma tal hipótese e por esta razão simples: não vejo um ínfimo de impacto mundial nas posições do Papa Francisco. Basta olhar o seu efeito nas posições dos bispos portugueses, e logo se percebe que o que destes sobrevém é o silêncio.

O Papa Francisco terá sido alertado, numa perspetiva geral, para a hipótese de poder vir a ser alvo de um atentado. Um alerta do padre argentino, Juan Carlos Molina. Um alerta a que Francisco I respondeu deste modo: que me matem, é o melhor que me pode acontecer. Mas o Papa foi mesmo mais longe, referindo ao padre seu amigo que a morte até para ele seria o melhor.

Simplesmente, o padre mostrou uma opinião diversa, dado ainda só ter quarenta e sete anos. É uma resposta interessante, porque mostra o desencanto de Francisco I com o mundo atual – certamente também com o que vai pela vida interna da Igreja –, e porque parece dar a entender, pela resposta do padre, que haverá uma idade onde viver poderá já não valer a pena, seja a razão desta ideia a que for.

Claro está – vivi um caso como o que refiro agora – que toda esta conversa ora revelada pode ter como objetivo criar uma espécie de simpatia acrescida – uma espécie de peninha – para com Francisco I, perante o recente insucesso da primeira parte do sínodo dos bispos: ele queria mudar as coisas, mas não o deixam… A verdade, porém, é que as coisas são como são, pelo que o Papa Francisco sempre terá podido perceber que as mudanças no seio da Igreja Católica só poderão ter lugar sob a forma de aparência. É caso para se dizer: a Igreja Católica não anda para diante nem com o Papa Francisco!

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