Levem tudo, menos o chocolate

|Tânia Rei|
Esta semana, há uma notícia que me está a incomodar em particular. A irritar, como aquele amigo chato, que teima em bater-nos cada vez que fala connosco. Tentei fechar os olhos e contar até 10, para ver se eu acordava, e percebia que, afinal, estava a sonhar. 

Esperei que alguém gritasse “é mentira!”, mas depois olhei para o calendário e percebi que estamos perto do 1 de dezembro, e não do 1 de abril.

Eu sei que temos uma ministra nova (bem enxuta para a idade, diga-se), que as subversões e subvenções não agradaram, que o BES continua a dar que falar, e, até, que houve umas focas com atitudes infames, história essa que envolveu um pinguim inocente.

Mas nada me choca mais do que a notícia que diz que o chocolate pode estar a acabar. O QUÊ? Ligue-se para a Greenpeace, para a ONU, a OMG, para a NASA! Ligue-se para qualquer lado! Mexam-se, pelo bem do chocolate!

Tinha eu 9 anos, mais coisa menos coisa, quando fui parar ao hospital, pela primeira vez, por causa do chocolate (em excesso) que o meu organismo rejeitava. “Não comas mais disto, minha linda”, disse um médico simpático e crente. Claro que durante alguns dias não o pude nem cheirar. Depois passou, e voltou tudo ao normal.

E, pronto, ali começou uma relação de amor-ódio, que dura há uns bons anos, entre m&m’s e leite com chocolate.

Os produtores dizem que só nos últimos dois anos o preço do cacau subiu 60%, muito por culpa do aumento do consumo nos países asiáticos (tinham que ser logo eles a comer mais, que são tantos?) e por causa de um fungo que tem afectado os cacaueiros. E ninguém dizia nada? Isto é uma cabala! Levem lá plantas para laboratórios, façam estufas! Alguma coisa, por favor, que ponha um ponto final a esta agonia.

Se o chocolate acaba, como subornamos os miúdos? O que damos às namoradas no 14 de Fevereiro? O que comemos quando estamos deprimidos? O que damos no Natal àquela tia a quem nunca sabemos o que lhe comprar? O que vamos acusar de nos fazer borbulhas?

Já me ocorreu esvaziar todas as prateleiras dos supermercados, como que se me preparasse para uma guerra ou um apocalipse, porque, a confirmar-se, estaremos perante uma calamidade mundial. Ia tudo a eito! Preto, branco, de leite, com amêndoas e até com passas. No entanto, contive-me, pois tenho fé que tudo se resolva.

Pode acabar o gás natural e o petróleo, só o chocolate é que não – prefiro tomar banho de água fria e andar a pé do que perder esse deleite.

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