Investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço efetuaram a primeira medição dos ventos na atmosfera de Vénus em simultâneo da Terra e de uma sonda espacial.
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| Imagem artística da sonda Venus Express e o planeta Vénus Créditos ESA-Venus Express |
Uma das razões do interesse científico atual por Vénus é compreender como, tendo-se formado na proximidade da Terra e com uma composição inicial muito semelhante, este planeta evoluiu de maneira completamente diferente. Através de observações sincronizadas a partir de uma sonda espacial e um telescópio terrestre foi possível detetar pela primeira vez o chamado vento meridional, uma componente da circulação geral da atmosfera que nunca havia sido medida a partir da Terra. Este estudo abre as portas à monitorização autónoma da atmosfera de Vénus e do seu clima a partir da Terra, complementando as capacidades das missões espaciais.
Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) não esconde o seu entusiasmo: “estamos muito contentes com os resultados deste trabalho. Por um lado, conseguimos a primeira medição da circulação meridional da atmosfera de Vénus a partir de observações com telescópios terrestres; por outro lado, realizámos o primeiro projeto de observações sincronizadas entre uma sonda espacial (Venus Express da Agência Espacial Europeia) e um telescópio no solo (CFHT – Havai). Nos resultados agora publicados é notória a pertinência deste género de projetos dada a sua complementaridade e ao facto de constituir uma validação cruzada das diferentes técnicas utilizadas”.
David Luz (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) realçou ainda que “a técnica de medição de ventos utilizada (velocimetria Doppler) foi desenvolvida e aperfeiçoada pelo nosso grupo podendo vir a seu utilizada no estudo das atmosferas de outros planetas do Sistema Solar e no futuro, também, no caso dos exoplanetas”.
Para realizar as medições espaciais, a sonda Venus Express foi previamente programada para recolher imagens pormenorizadas do planeta, exatamente nos mesmos dias e horas em que os astrónomos realizavam as observações na Terra, com o auxílio do telescópio CFHT, situado no cume de Mauna Kea na maior ilha do Havai (EUA). As imagens foram depois analisadas de forma a detetar com precisão o movimento das nuvens e medir a velocidade com que se moviam.
Gabinete de Comunicação de Ciência - Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço
Conteúdo fornecido por Imprensa Regional – Ciência Viva
