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| Hélio Bernardo Lopes |
Teve razão José Sócrates, neste passado sábado, quando apontou a vitória de António Costa nestas eleições federativas como um sinal claro do desejo de mudança no seio do PS, mas tomando-a, por igual, como uma antecipação do sentido de voto nas próximas eleições legislativas, em que a direita política sairá derrotada. Como se sabe, nunca duvidei de que seria esta a realidade política nas próximas eleições.
Simplesmente, o que está em jogo não é apenas ser o partido mais votado nessas eleições, mas conseguir um Governo maioritário estável e que leve Portugal a sair do estado de pobreza para que foi atirado pela atual Maioria-Governo-Presidente. Que o PS seria, naturalmente, o partido mais votado, pois, não levantava dúvidas a ninguém razoavelmente desapaixonado dos interesses partidários no poder. Mas o que está em causa é obter uma maioria absoluta, como, a dada altura, referiu Mário Soares.
Claro está que eu nunca acreditei que tal possa vir a ser possível no futuro com o PS, porque o que hoje é essencial para uma enorme parte dos portugueses é ver repostas as regras do Estado de Direito, mormente ao redor das reformas que foram retiradas completamente à revelia do que o Estado Português impôs aos cidadãos e com as garantias que forneceu. Não ir por aqui, bom, será, num ápice, mais do mesmo.
Como António Costa conhece já bem, há hoje medo no seio da sociedade portuguesa, o que se pode perceber facilmente por um estudo com alguns meses, a cuja luz, um gasto inesperado de quatrocentos euros, ou mais, não pode ser respondido por uma enorme parte da nossa comunidade familiar. A atual Maioria-Governo-Presidente quase acabou com o acesso aos cuidados de saúde, ao ensino em condições, e até à própria justiça. Pois, é aqui que, como Primeiro-Ministro, terá de atuar com o seu Governo.
Os portugueses querem ter a certeza de que poderão tentar salvar a vida se necessário, ou que poderão estudar de acordo com o seu desejo, e tudo de um modo independente da sua capacidade material para realizar tais objetivos. E querem poder recorrer aos Tribunais se de tal precisarem.
Querem, afinal, o que lhes tem vindo a ser tirado. Espero (e desejo ainda mais) que António Costa, que conhece já bem toda esta realidade, reponha as condições de Estado de Direito hoje fortemente postas em causa.
