Irá tudo continuar na mesma?

Hélio Bernardo Lopes
Escreve diariamente
Só por via de uma extrema benevolência se pode imaginar que a fantástica sucessão de casos de pedofilia no seio de estruturas diversas da Igreja Católica teve lugar no meio do cabal desconhecimento da correspondente hierarquia, muito centralizada. E quem diz pedofilia, diz as mil e uma outras situações de natureza imoral ou criminal, que hoje se conhecem por toda a parte.

Depois de um inquérito operado no seio das Nações Unidas, surgiram agora as correspondentes conclusões: a comissão de inquérito, não chegando a afirmar que o Vaticano é responsável por todas e cada uma das violações cometidas por qualquer padre, conclui que violou a Convenção Contra a Tortura nos casos em que foi informado de abusos e ignorou as acusações, o que aconteceu pelo menos umas cinquenta vezes.

À luz desta conclusão, a comissão exige agora ao Vaticano que exerça um controlo efetivo sobre os seus funcionários e que este deve ser feito mesmo além-fronteiras, pelo que a responsabilidade de um Estado não se limita ao seu território.

Trata-se, em minha opinião, de um tratamento claramente favorável à entidade que falhou ou não cumpriu os seus deveres, procurando dar-se um ar de exigência justiceira ao exigir que as vítimas sejam indemnizadas, o que os membros da comissão sabem muitíssimo bem que, de um modo muito geral, nunca virá a ter lugar.

Mostra tudo isto, pois, que, depois de um susto inicial, que se tem vindo a desenvolver desde que teve lugar, tudo acabará por voltar ao mesmo. Sempre assim pensei, porque estes casos derivam da estrutura própria da Igreja Católica: secreta, obediente, centralizada no exercício do poder, mas descentralizada na assunção das responsabilidades cometidas pelos seus membros em partes diversas do Mundo.

Este, indubitavelmente, constitui um tremendo falhanço da Organização das Nações Unidas na defesa das vítimas, objetivas e indiscutíveis, de tortura e violação de Direitos Humanos. De resto, como se vem dando ao redor, por exemplo, dos prisioneiros de Guantánamo. Em resumo: a Organização das Nações Unidas, tal como a União Europeia, é um excelente lugar para muitíssimo bons empregos.

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