Consumo exagerado de tranquilizantes pode aumentar o risco de Alzheimer

Tem dificuldades em dormir e consome habitualmente tranquilizantes para conseguir obter o repouso desejado que lhe permite enfrentar um novo dia de trabalho? Atenção, se é um consumidor habitual de benzodiazepinas (BZD), os designados tranquilizantes soníferos, tenha em mente que eles podem ser muito destrutivos para as ligações do seu cérebro e quando consumidos de forma crónica podem mesmo potenciar, antecipar ou aumentar o risco de Alzheimer.

Esta foi a conclusão de um recente estudo publicado na revista francesa "Sciences et Avenir" (Ciência e Futuro), da responsabilidade científica de Bernard Begaud, professor da Universidade de Bordeaux.

Segundo o cientista, o consumo exagerado de tranqualizantes pode transformar-se numa "verdadeira bomba" para a saúde das pessoas.

As preocupações são tanto maiores quanto parece ser verdade que durante um ano entre 16 mil e 31 mil casos de Alzheimer surgem em França alegadamente devido ao tratamentos com BZD (benzodiazepinas), similares e seus genéricos como o Valium, Temesta, Xanax, Lexomil, Stilnox, Mogadon, Tranxène, etc., noticia a revista na sua edição de Outubro.

Segundo o especialista e responsável por este trabalho, a situação é muito preocupante e deveria merecer a intervenção das autoridades do estado.

Do conjunto de nove estudos realizados sobre esta matéria, seis apresentam resultados semelhantes e parecem confirmar a existência de “uma relação entre o consumo de tranquilizantes e soníferos durante vários anos e o Alzheimer", afirmou Bernard Begaud. "É um sinal de alerta muito forte", sublinhou, embora se desconheça por completo a forma como os BZD actuam no cérebro.

O pior é que os efeitos colaterais destas substâncias não são imediatamente perceptíveis e só ao fim de alguns anos é que podem surgir as mazelas do foro psiquiátrico que estes investigadores associam ao consumo exagerado de BZD.

Neste artigo publicado na revista "Sciences et Avenir" salvaguarda-se a possibilidade do estudo poder conter algum erro, porque, sublinham, “em epidemiologia é difícil estabelecer uma relação directa entre causa e efeito”. Contudo, devido à persistência dos resultados (seis em nove estudos apresentaram resultados semelhantes), “parece normal denunciar, agir e tentar limitar as prescrições inúteis, que são muitas”, disse Bernard Begaud.

O estudo foi realizado num universo constituído por 3.777 indivíduos de 65 anos ou mais que tomaram BZD entre dois e dez anos.

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